IEMO

APRESENTAÇÃO

Criado no ano do centenário do nascimento de Pessoa (1988) o IEMo tem-se consagrado à salvaguarda, preservação e estudo de espólios de autores modernistas, com particular dedicação (mas não só) ao de Fernando Pessoa. É, ainda hoje, o único instituto de investigação científica português a dedicar-se de modo sistemático e continuado aos estudos pessoanos e, abrangentemente, em torno do Modernismo. Conta já no seu activo com uma série de projectos (ver Investigação) e cerca de 60 livros (ver Publicações).
Também se tem dedicado ao estudo das relações dos modernistas portugueses com os seus pares estrangeiros, ao diálogo que se estabelece além fronteiras, tanto no campo da literatura quanto das outras artes (ver Museu Virtual).
A divulgação dos resultados de cerca de vinte anos de investigação, num espírito de serviço à comunidade, tem sido feita através de cursos livres, colóquios e jornadas de estudos, conferências, e visitas a escolas secundárias (ver Colóquios) e também publicações em diversas revistas nacionais e estrangeiras (ver Artigos em Publicações). Prepara-se também para, através da revista Modernista, online, mostrar não só as investigações em curso dos seus membros, como também o que nos nossos domínios se está a fazer no mundo.

Coordenação Científica de Teresa Rita Lopes

 

HISTÓRIA

Criado no ano do centenário do nascimento de Pessoa (1988) o IEMo tem-se consagrado à salvaguarda, preservação e estudo de espólios de autores modernistas, com particular dedicação (mas não só) ao de Fernando Pessoa. É, ainda hoje, o único instituto de investigação científica português a dedicar-se de modo sistemático e continuado aos estudos pessoanos e, abrangentemente, em torno do Modernismo.
Nesse ano de 1988, foi constituída uma equipa de vinte elementos, dirigida pela Professora Teresa Rita Lopes, que, modestamente subsidiada pelo então ICALP, iniciou uma actividade ainda em curso: estudo e fixação, página por página, do Espólio de Pessoa depositado na Biblioteca Nacional (mais de vinte e sete mil documentos). Deles resultou, em 1993, o volume colectivo, organizado pela referida Professora, Pessoa Inédito, e uma dezena de teses de Mestrado e Doutoramento, algumas delas publicadas pela editora Assírio & Alvim.
Outros espólios de autores modernistas foram alvo do nosso esforço de salvaguarda e preservação: o do amigo e camarada de Pessoa, director da revista em que largamente publicou, Contemporânea, José Pacheco, leiloado em 1988 e, por intervenção da Presidente do IEMo, adquirido pelo Banco Totta & Açores. Era então militância do grupo conseguir instalar na casa em que Pessoa nasceu, no Largo de São Carlos, um Museu Modernista, e lá colocar esse e outros espólios, que já à data tinha conseguido preservar (inclusive um pequeno acervo de textos de António Patrício cujo tratamento constitui ainda projecto nosso). O espólio de José Pacheco, já publicado em livro mas ainda à espera de adequado tratamento, está, neste momento (à falta de melhor local) depositado no Centro Nacional de Cultura. O Professor Guilherme de Oliveira Martins, seu director, contactado há pouco pela nossa Presidente, encontra-se inteiramente disponível para a colaboração que lhe propusermos.
Recentemente, constituiu-se uma equipa, que apresentou à F.C.T. um projecto já aprovado, orientado pelo Professor Fernando Cabral Martins, para tratar, estudar e publicar um vasto espólio de Almada Negreiros (de que, separadamente, se dá notícia).
Estamos também em contacto com a Fundação António Quadros, (de cujo Conselho de Administração faz parte a Presidente do IEMo) que põe à nossa disposição os valiosos espólios de António Quadros e seus pais, Fernanda de Castro e António Ferro.
Além das investigação relacionada com a salvaguarda (urgente!) dos referidos espólios (e também de outros que recentes leilões mostraram ainda estar na posse de familiares de Pessoa), o IEMo consagra-se conjuntamente ao estudo da recepção e projecção da obra, não só literária, mas também plástica (nomeadamente de Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pacheco) de outros autores do Modernismo português por parte de autores portugueses e estrangeiros.
Outros diálogos transversais, entre literatura, arte e ciência estão a ser estabelecidos por outros grupos de trabalho.
Tem o IEMo organizado, desde 1988, para comemorar o centenário do nascimento de Pessoa, vários Encontros para apresentação do resultado das suas investigações, em que têm colaborado alguns dos membros e parceiros estrangeiros que integram o nosso Instituto (brasileiros, espanhóis, franceses, italianos, americanos, e de outras nacionalidades). Temos, de facto, estabelecido diálogo com uma vasta rede internacional de universidades, mas também com membros de diferentes nacionalidades e quadrantes culturais (até realizadores de cinema e encenadores de teatro que, sobre Pessoa, nos têm contactado). Além disso, os editores de textos modernistas, muito particularmente pessoanos, dirigem-se-nos frequentemente, porque os livros de que se servem para as suas traduções são as que temos preparado para a editora Assírio & Alvim. De facto, a fixação da vulgata pessoana é um dos nossos grandes objectivos.
O nosso Instituto, apesar de até agora não termos pedido a sua avaliação por parte de FCT, está a ser procurado por um número crescente de candidatos a membros, não só professores com também alunos: a nível do Mestrado, Doutoramento e pós-Doutoramento (ver Teses em Investigação). A relação estabelecida entre o que chamamos “a velha e a nova guarda” é estreita e amigável (no passado ano lectivo oferecemos aos recém-chegados um curso de iniciação ao estudo de espólios de autores modernistas).
Todos os grupos são chefiados por investigadores principais, com vastas provas dadas no domínio da pesquisa e da edição de livros e publicações. A sua Unidade de Acompanhamento (seis professores catedráticos de Universidades estrangeiras) demonstra o prestígio de que o Instituto goza no plano internacional.

 

MILITÂNCIAS

No que respeita aos Estudos Pessoanos, boa parte dos textos do espólio de Fernando Pessoa depositado na Biblioteca Nacional ainda estão por fixar, e os conjuntos a que pertencem não foram organizados. Há também que contar com o tratamento a dar aos documentos ainda na posse da família, de que um recente leilão – uma pequena parte deles – veio revelar a existência. O iEMo busca, assim, restituir à sua verdade textos defeituosos, vítimas de leituras e organizações incorrectas, em edições postas em circulação.


Metodologia das fixações de textos de Pessoa
Desde 1997 que o Instituto de Estudos sobre o Modernismo se tem aplicado a publicar a poesia e prosa de Pessoa com o objectivo não só de ir dando a conhecer toda a obra mas, muito particularmente, de fixar o texto pessoano, expurgado dos erros com que ainda circula.
Não as anunciamos como edições críticas embora elas, afinal, o sejam porque têm o rigor e a exigência que se supõe as críticas tenham e as informações que uma edição criteriosa deve dar: sobre a data do texto, a indicação da cota da BN ou a indicação do sítio em que se encontra, se é inédito ou quem, pela primeira vez, o publicou, comentários do autor ao texto, se os houver, e, sempre em rodapé para permitir uma leitura paralela, as variantes de autor – isto é, palavra(s) alternativa(s) que Pessoa aponta, sem riscar o que escreveu na linha corrida, entre parêntesis, por cima, por baixo ou à margem do escrito.
Dispensamos os longos aparatos críticos que afugentam o leitor não especialista. São edições para toda a gente, não só para especialistas, como as da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, produzidas pela Equipa Pessoa, que resultam da aplicação de um determinado método (crítico genético assim chamado), que implica a reescrita do texto, pela incorporação das variantes de autor, que tratam da mesma forma que as emendas - isto é, as palavra(s) recusada(s) que o autor riscou.
Os textos dos outros autores não têm apresentado essa particular característica dos pessoanos mas, muito deles, foram postos a circular com incorrecções que pretendemos suprimir.

Teresa Rita Lopes